A FORMAÇÃO DO FARMACÊUTICO COMO EDUCADOR EM SAÚDE: UMA ESTRATÉGIA

PAULO AGNELO LORANDI

Resumo


O presente artigo tem como objetivo resgatar experiências de educação em saúde, desenvolvidas, nos anos de 1996 e de 1997, na Faculdade de Farmácia e Bioquímica da Unisantos. Fomos Instados a essa representação pela publicação da Declaração de Princípios da FIP “A responsabilidade e papel do farmacêutico na educação de crianças e adolescentes sobre medicamentos nos cuidados da saúde”.³

Ao longo do segundo semestre de 1996, alguns alunos apresentaram palestras sobre o uso racional de medicamentos em centros comunitários e inclusive em uma SIPAT (Semana Interna de Prevenção ao Acidente). A experiência mostro-se tão positiva que, em 1997, resolvemos manter a atividade na forma de estágio curricular, com atuação de alunos do curso de Farmácias em escolas do então primeiro e segundo graus.  Apresentamos os resultados deste estágio no X Congresso Paulista de Farmacêuticos/ II Seminário Internacional de Farmacêuticos, em São Paulo.

A ação educativa do farmacêutico é prevista tanto nas comunicações da Organização Mundial de Saúde (OMS), que tratam do farmacêutico e do uso racional de medicamentos, quanto no movimento pela reformulação curricular. A divulgação da campanha pelo uso racional de medicamentos é uma ação necessária para se conseguir que a população deixe de encarar os medicamentos como bens de consumo. Visão que é motivada por interesses econômicos e que faz parte da cultura de povos distintos de países com diferentes graus de desenvolvimento.

A educação em saúde não se restringe à transmissão do elenco de conhecimentos científicos reconhecidos pela comunidade, mas engloba a discussão, isenta de preconceitos, de todo o processo de assistência à saúde, como direito inalienável do cidadão. O homem concreto, situado em seu tempo e espaço, tem, no processo educativo, a possibilidade de perceber as forças que estão em jogo, no seu cotidiano. Com o seu entendimento estendido, o desvelamento das soluções assume um caráter mais definitivo. Portanto, é importante apresentar ao acadêmico de farmácia experiências práticas de ação educativa visando-se o desenvolvimento do uso racional do medicamento.

O estágio de educação em saúde justifica-se como forma de aproximação de acadêmico do ensino superior com as problemáticas da comunidade, onde está  inserido, acreditamos que os estabelecimentos de ensino devem promover a cidadania, entendida de forma ampliada, mais do que um conjunto de direitos e deveres, a cidadania precisa ser conquistada, através  da participação, e as escolas podem instrumentalizar o indivíduo nesta conquista.

Assim com Paulo Freire (1981) diz que “comprometer-se com a desumanização é assumi-la e, inexoravelmente, desumanizar-se também”, o farmacêutico tem de se engajar na discussão do uso inadequado dos medicamentos e das drogas, já que tem condições profissionais de apresentar seus conhecimentos farmacológicos, Freire apresenta, ainda,” a mudança não é trabalho exclusivo de alguns homens, mas dos homens que a escolhem”. Desta maneira, o farmacêutico deve assumir seu papel em todos os momentos de trânsito do medicamento, inclusive quando há um uso inadequado.


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